segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Temos o Cérebro na Prisão




Porque a cada transgressão existencial nos sentimos perdidos e em conflito conosco? É nessa escolha de vida a causa dos nossos sofrimentos. Submissos como somos dos padrões e das normas que regulam a nossa sociedade, somos expostos as suas chantagens. Continuando a nos questionar sobre o que é bom ou ruim, arriscamos de viver sempre com o “ Livro das regras “ nas mãos.


Ao lado do senso de culpa convivem outros sentimentos que o definem e o completam. São emoções que tendem a bloquear qualquer fantasia que nos estimule a “soltar as amarras” e a viver plenamente. Os códigos da sociedade regulamentam a nossa vida: fazemos de tudo para que os outros nos aprovem, precisamos nos espelhar sempre em algum modelo de referencia e temos sempre a idea fixa de ficar melhor. Se a nossa vida é assim, temos os sensos de culpa sempre ativados e não temos alternativa.


Nietzsche mostra como isso tudo atinge o homem que busca a vida perfeita e sempre de acordo com todos, que ele define como o “o encantamento da sociedade e da paz”. O encantamento social que nos prende é um emaranhado de códigos, regras, proibições explicitas e não, chantagens emocionais...um mundo onde fazemos distinção entre o Certo e o Errado, onde buscamos os erros cometidos para depois nos culpar deles. Este é o resultado dos muitos modelos familiares, religiosos, culturais, que nos condicionam e que agem na nossa mente continuando nos dizendo o que é o Bem e o que é o Mal, se o nosso comportamento é aceitável ou não, se quem fica por perto aprovaria a nossa atitude ou não, dificultando ao nosso instinto sugerir como viver e ao nosso intuito de nos guiar como uma bússola entre os imprevistos da existência. O senso de culpa do ser humano é uma conseqüência da separação do nosso passado, da dificuldade em conviver com ele e de novas situações conflitantes que temos dificuldade em absorver.


Na realidade o nosso cérebro é curioso, criativo e faria um continuo “zapping”, assim como na TV, entre os diversos canais da vida: quando não gosta de algo, quando é repetido, mudaria para algo novo. Nos não, não nos sentimos preparados para pular existencialmente de um canal para o outro, acreditamos de ter que respeitar sempre a imagem que demos, sem nos distanciar desta idea. Talvez a temos construído com esforço e desgaste, suamos para fazer com que os outros nos aceitem e nos aprovem. É nesse momento que entra em jogo o senso de culpa para agir como um freio de mão: inibir qualquer iniciativa um pouco fora das regras, nos manter dentro das fileiras, fazendo com que as nossas ações sejam sempre dentro um nível conhecido e aceito e controlável.


Existe uma grande diferença entre uma poça e o mar aberto. A primeira é feita de água “morta”, sem surpresas. O segundo é um mundo em movimento, onde as ondas, o vento e as correntezas tornam muito vivo e imprevisível o fluxo da água. O senso de culpa tem a função de nos deixar longe do mar aberto, de não nos deixar nem conhece-lo, de estacionar em um espaço tranqüilo, onde não se machuca ninguém e se fica alí, junto com os outros. Mas é uma situação que mata a alma e a sua criatividade, que impede de amadurecer e descobrir as próprias potencialidades e autonomias para poder se separar do cardume.


Dr. Leonard F. Verea – médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão, Itália. Especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Dinâmica. Especialista em Medicina do Trabalho e Medicina do Tráfego. É membro de entidades nacionais e internacionais. Atua como diretor do Instituto Verea e da Unicap.
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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Vencendo o medo de não conseguir




Muitas vezes, o medo de errar limita nossa capacidade e conseguimos menos do que esperamos. Esse medo de errar desaparece quando percebemos que a vida não é uma série de obrigações, mas um caminho de contínuas descobertas.

Todos os dias, erramos e acertamos, perdemos alguma oportunidade ou a aproveitamos. Alcançar objetivos é matar um leão por dia, e isso assusta muito.
“Precisamos perceber que não existe nada de definitivo ou para sempre, não existem fracassos permanentes.”
“Quando alguma atividade que desenvolvemos não dá certo, ao invés de ficarmos deprimidos, vamos continuar, sem ficar nos julgando permanentemente.”

Com essa atitude mental, o fracasso deixa de ser um obstáculo que compromete nossa autoestima e se torna um estímulo para melhorar cada vez mais a “pontaria” no alvo de nossos objetivos. Com aprendizado, tornamos a flecha certeira, por mais que os obstáculos estiquem nosso arco.
Quando acontece o erro, questione-se: “aonde esse erro vai me levar”?
Algumas derrotas podem ser fundamentais. Talvez não fosse a hora, talvez não fosse o rumo certo. Precisamos aprender a ler as entrelinhas dos “acasos”, pois tudo acontece porque tem que acontecer. Nós atraímos, inconscientemente, tudo o que nos fará aprender, amadurecer, crescer. Se pensarmos no que temos atraído, talvez possamos aprender com menos dor.

Chico Xavier já dizia: “Não podemos voltar atrás e fazer um novo começo, mas podemos começar agora e construir um outro fim”. A frustração por não termos conseguido atingir um alvo é natural, mas se nos limitamos a ver somente o que erramos corremos o risco de não valorizar todos os acertos, que certamente existiram. Vamos treinar a nossa sensibilidade para identificar, no meio dos resultados negativos, aquilo que existe de positivo e, a partir daí, recomeçar.

Temos que aprender a nos valorizar. A ajuda dos outros deve ser encarada, quando necessária, como uma muleta temporária, não como impossibilidade permanente de caminharmos com os nossos próprios pés. Quem quer se sentir emocionalmente cadeirante? Temos que aprender a enfrentar os desafios, valorizando os nossos próprios recursos, aceitando os medos e superando-os, sem fugir de derrotas, sem se cobrar perfeição, sem julgamentos limitantes. 
Precisamos diminuir aquela sensação de solidão e de abandono
Elas muitas vezes acompanham os distúrbios e as doenças que vivemos. Precisamos ter um olhar menos crítico, mais “bondoso” com o que consideramos nossos inimigos interiores, nossos medos, nossas dificuldades, com o que pensamos serem os nossos “defeitos”. Todos esses aspectos da personalidade, se aceitos e valorizados, acabam por constituir a nossa unicidade, aquilo que possuímos de mais precioso.

Assim como os monstros da nossa infância desapareciam com o nascer do sol, os nossos medos desaparecem quando acendemos a luz de uma nova aceitação e confiança.
Herói não é quem faz coisas extraordinárias, mas aquele que consegue viver a vida com paixão e prazer. Amar a vida, mesmo quando parece que as coisas não dão certo, renovar a confiança.

Quando se vive como vítima, não se consegue atingir a meta prefixada, não se aproveitam todos os recursos de que se dispõe: delega-se a solução do problema a quem está ao seu lado, transmite-se ansiedade e insegurança a todos que estão ao seu redor.

Temos que aprender a criar formas pensamento de prazer, de otimismo, que serão os alicerces que nos sustentarão em momentos mais difíceis. Sempre que pensamentos pessimistas quiserem pintar a sua vida com cores escuras, pegue em sua alma uma paleta cheia de cores e dê à tela dos seus pensamentos o visual que você quer para a sua vida. 

Leonard F. Verea é médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão, Itália. Especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Clínica; é membro de diversas entidades nacionais e internacionais. Contatos: verea@verea.com.br  www.verea.com.br 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

MAL ENTENDIDOS - COMO EVITAR ESSA ESPIRAL QUE ESTRAGA OS RELACIONAMENTOS



Todo mundo vive ou já viveu ao longo da sua vida, algum ressentimento para com alguém: uma sequencia de ações e reações que acabam destruindo um projeto profissional, humano, social , etc., que poderia dar muito certo. Quando o mal entendido e a suspeita de má fé substituem uma comunicação eficaz, o prejuízo pode ser incalculável.

Em algum dia, alguém que prometeu ligar para outra pessoa, por algum motivo não o faz. A segunda pessoa, não chama a primeira para saber se algo aconteceu, talvez por algum ressentimento embutido, talvez por uma sensação de inferioridade que emerge com esse pretexto, talvez por orgulho. E quando a primeira liga, talvez no dia seguinte, a segunda não responde, para descontar a presumível falha. Com essa atitude, parece ter posto tudo em ordem. A primeira pessoa, que talvez tenha tido válidos motivos para não ligar, não vê os fatos dessa forma, aliás se surpreende e se chateia com esse estranho comportamento e por sua vez, decide sumir por algum tempo: inicia assim uma pequena guerra feita de mal entendidos e ressentimentos.

Dois colegas estão desenvolvendo alguma atividade em conjunto. O primeiro, por descuido e distração, erra algo que prejudica o segundo. O segundo achando ser uma provocação, por sua vez, reage produzindo um pequeno dano. O primeiro sente o baque e reage com uma provocação maior ainda, e em um crescendo de provocações e ressentimentos recíprocos eles acabam destruindo aquele projeto no qual os dois estavam envolvidos.

Provocações, birras, desaforos, são comportamentos comuns e frequentes na infância, representam uma forma de se impor, de prevalecer. Geralmente expressam a contrariedade por se sentir injustiçado por algo acontecido (verdadeiro), ou por uma desilusão (não se sentir compreendido, querido ou apreciado). A criança não encontra outra maneira, a não ser de prejudicar o outro, seguindo um esquema similar a uma das primeiras formas de justiça que a humanidade soube criar: olho por olho... É uma reação que pode mostrar também o lado criativo da criança, que se esforça para inventar birras cada vez mais criativas. Com o tempo, deveria dar espaço a formas mais maduras de solução de conflitos. Mas às vezes isso não acontece, e a birra, o desaforo, as provocações, se tornam uma forma mais estruturada para reagir as injustiças e para chamar a atenção.

Os exemplos que ilustramos acima, mostram como esses indivíduos agem na realidade: vivem a infantil expectativa de um mundo a sua disposição, que atenda suas exigências e que os coloquem sempre entre as prioridades, e se isso não acontece, alguém deve pagar por isso. Se tornam caprichosos e intransigentes como uma criança que não consegue e não quer entender as exigências dos outros, e nem busca um dialogo para esclarecer. Para um desaforento, é difícil entender os infantilismos das próprias reações, também porque as birras e as pequenas vinganças lhe oferecem, instantaneamente, uma certa satisfação e prazer. Tanto que, em alguns casos, as desencadeia sem motivos, justamente para proporcionar esse prazer de descontar algo de alguém.

Se essa pessoa conseguisse observar seus relacionamentos, perceberia que ao final, essas atitudes só tendem a prejudicar a si mesmo. Os amigos não vão tolerar mais essas atitudes e vão se afastando, outros não se abrem mais como antes, mas acima de tudo, é ele mesmo que paga o preço maior por essas intrigas, por essas maldades.

Tudo acontece porque, muitos anos antes, quando criança, talvez tenha se sentido, às vezes injustiçado ou mal entendido: deveria se questionar, se ainda tem vontade de reviver aquela sensação, se ainda precisa viver a sensação do prazer em descontar algo de alguém. Responder que não, seria como uma grande liberação que lhe permitiria viver sem todos esses absurdos conflitos, mal entendidos, podendo ter mais prazer de tudo o que a vida tem de bom a oferecer.

Algumas dicas a seguir, para que as pessoas que se identificam com esse texto, possam aprender a enfrentar e superar essa dificuldade, superando conflitos e ressentimentos, deixando de alimentar mal entendidos e buscando viver a vida aproveitando ao máximo o tempo:
•    A vida é curta: vamos aproveitá-la.
•    Tente ver o mundo também com o olhar do outro.
•    Deixe de lado os pré-conceitos na hora de julgar os outros.
•    O ressentimento nasce de uma interpretação unidirecional, distorcida na maior parte dos casos, imaginando que o outro tenha agido de forma intencional contra nós, e mesmo sem querer, não tenha se esforçado muito, portanto, não está muito afim. A realidade necessita de um olhar mais atento: vamos acreditar mais nos outros, vamos tentar entender melhor a essência dos seus comportamentos, os porquês. Vamos aprender a observar os fatos com o olhar do outro, a sentir como ele.
•    Determinemos um diálogo mais maduro com os outros.
•    Reagir com o desaforo, alimentando um mal entendido, prejudica qualquer esclarecimento. É importante nessas situações, buscar um dialogo para poder expressar a própria contrariedade e também ouvir o outro.
•    Nenhum tipo de relacionamento entre pessoas funciona na base da competitividade, ela gera curto-circuito.
•    Todos os relacionamentos se mantem, dando espaço para que todos possam se manifestar, inclusive nos.
•    Vamos melhorar nossa autoestima, valorizando e acreditando mais em nós, observando com olhar mais atento nossos sucessos e realizações e minimizando nossos fracassos.
•    Somos eternos aprendizes, em busca constante de melhor e aprimoramento: quanto mais sei, menos sei.

Dr. Leonard F. Verea – médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão, Itália. Especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Dinâmica. Especialista em Medicina do Trabalho e Medicina do Tráfego. É membro de entidades nacionais e internacionais. Atua como diretor do Instituto Verea e da Unicap.
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Dr. Leonard Verea como fonte de informação no Jornal Domingo Espetacular, da Record

Aos que perderam a matéria de ontem sobre depressão, segue o link. Vale a pena assistir, é de utilidade pública.

“Mais uma morte causada pela depressão... É a doença do século, é o mal da humanidade, é o Ebola que mata lentamente... É a fraqueza em forma de lágrima, o grito que não saiu pela garganta, a dor que dói em linha reta e constante, pra nunca ser esquecida, o sorriso forçado, a palavra não dita, o pesadelo que virou realidade”, diz Dr. Leonard Verea. 

Estima-se que 8% das pessoas adultas em todo o planeta sofram de depressão e que 10 a 20% ainda serão vítimas desta doença em algum momento de suas vidas. A depressão, ao contrário do que muitos acreditavam, não é um estado de espírito ou humor, mas sim uma doença que se manifesta de diversas maneiras, podendo levar à morte. Considerado um problema psicossomático, com sintomas físicos evidentes, é uma enfermidade causada por alterações químicas no cérebro, que afetam as emoções podendo também prejudicar a capacidade mental. O cérebro é formado por inúmeras células que se comunicam entre si, através de substâncias químicas chamadas neurotransmissoras. No caso das pessoas com depressão, as substâncias químicas deixam de circular como deveriam.

Assista clicando aqui


Dados de uma série de estudos apontam as doenças mentais como responsáveis pela maior parte de anos de qualidade de vida perdidos devido a doenças crônicas. Os maiores vilões são a depressão, psicoses e dependência de álcool. Em seguida, estão as doenças cardiovasculares. 

Segundo o estudo, entre 18% a 30% da população brasileira apresentam sintomas de depressão. A mortalidade por demência aumentou de 1,8 mil por 100 mil habitantes em 1996 para 7 por mil habitantes em 2007.

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, em cada 100 pessoas com depressão grave, 15 cometem suicídio. Dados de 2013 divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) indicam que mais de 350 milhões de pessoas no planeta têm depressão – o que representa 5% da população mundial. De acordo com estudo publicado na revista científica PLOS Medicine, no ano passado, ela é a segunda maior causa de invalidez, no mundo, ficando atrás apenas das dores nas costas. Cerca de 20% das pessoas já tiveram, têm ou ainda terão a doença ao longo da vida.

Uma das principais dificuldades enfrentadas por quem sofre de depressão é entender e fazer com que os outros entendam que ela não é “frescura”, mas uma doença, como hipertensão ou diabetes.

Isso significa que precisa ser tratada por um psiquiatra, capaz de orientar e, se necessário, medicar adequadamente o paciente. A psicoterapia em conjunto pode ser muito útil, mas o tratamento médico é essencial.

Apesar de todo estigma existente em torno da depressão, ela é uma das principais doenças que acometem a humanidade atualmente. Dados de 2013 divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) indicam que mais de 350 milhões de pessoas no planeta têm depressão – o que representa 5% da população mundial. De acordo com estudo publicado na revista científica PLOS Medicine, no ano passado, ela é a segunda maior causa de invalidez, no mundo, ficando atrás apenas das dores nas costas.

 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Chico Anysio dizia que tratamento psiquiátrico foi fundamental para enfrentar depressão



O humorista Chico Anysio sofria de depressão e disse que, se não fosse o tratamento psiquiátrico, não teria feito nem 20% do que fez em sua vida. A declaração foi feita em um vídeo gravado para o XXIX CBP para o lançamento da campanha “A Sociedade contra o Preconceito”.

Em tratamento há 24 anos com um psiquiatra, Chico Anysio afirmava que o tratamento para o seu caso foi vital e que o preconceito contra o doente mental e o psiquiatra é uma burrice: “Ir ao psiquiatra não significa que ele é doido. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. A depressão é uma coisa, a loucura é outra, com tratamentos diferentes”. Em um momento de descontração, o ator propôs que se mudasse o nome da especialidade que atende o doente mental por que a palavra psiquiatria ficou marcada como “médico que cuida de doido”.
O preconceito assim como a falta de atendimento ao doente mental, para o comediante, era um crime. “Se eu posso, se eu tenho meios de ajudar e curar uma pessoa e não faço isso, eu sou um criminoso. Isso é um crime. O governo tem esse dever, ele não tá fazendo favor nenhum em colocar os remédios ao alcance dos pobres, é obrigação. Ser pobre não é defeito, é uma infelicidade. Não ter dinheiro para o remédio é um absurdo”, ressaltou.
Sobre a depressão, Chico foi enfático: “a depressão é um demônio, é como um gás letal, ela entra e a pessoa não sente que esta deprimida. Os outros descobrem que ela está e ela tem que ir a um médico”. Para Chico Anysio, “ser psiquiatra é louvável por que a psiquiatria é um dos ramos mais complexos da medicina”.
Para um auditório lotado, Chico Anysio também falou sobre aquele que considera o único arrependimento de sua vida: ter fumado. “Sou do tempo que macho fuma. Os artistas de cinema incentivavam. Todos fumavam naquele tempo. Fumar era chique”, afirmou Chico, que morreu em decorrência de enfisema pulmonar. O comediante disse em vida que é muito importante o fato de a psiquiatria poder ajudar o fumante a se livrar do vício. “O meu grande mal não foi a depressão, foi o cigarro. O grande criminoso da minha vida foi o cigarro. A depressão, eu entendi o que era e puder pagar os remédios e o psiquiatra. Eu venci por que ela é vencível, é controlada. É só ir ao psiquiatra e tomar os remédios. Agora, se os psiquiatras também podem ajudar a se livrar do cigarro, então a psiquiatria é a rainha”, afirmou.
Dr. Leonard F. Verea – médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão, Itália. Especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Dinâmica. Especialista em Medicina do Trabalho e Medicina do Tráfego. É membro de entidades nacionais e internacionais. Atua como diretor do Instituto Verea e da Unicap.
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terça-feira, 12 de agosto de 2014

A doença do século...


Mais uma morte causada pela depressão... É a doença do século, é o mal da humanidade, é o Ebola que mata lentamente... É a fraqueza em forma de lágrima, o grito que não saiu pela garganta, a dor que dói em linha reta e constante, pra nunca ser esquecida, o sorriso forçado, a palavra não dita, o pesadelo que virou realidade.


Estima-se que 8% das pessoas adultas em todo o planeta sofram de depressão e que 10 a 20% ainda serão vítimas desta doença em algum momento de suas vidas. A depressão, ao contrário do que muitos acreditavam, não é um estado de espírito ou humor, mas sim uma doença que se manifesta de diversas maneiras, podendo levar à morte. Considerado um problema psicossomático, com sintomas físicos evidentes, é uma enfermidade causada por alterações químicas no cérebro, que afetam as emoções podendo também prejudicar a capacidade mental. O cérebro é formado por inúmeras células que se comunicam entre si, através de substâncias químicas chamadas neurotransmissoras. No caso das pessoas com depressão, as substâncias químicas deixam de circular como deveriam.

Depressão, o mal da modernidade

Com as mudanças ocorridas no estilo de vida dos brasileiros, os transtornos psicológicos e psiquiátricos passaram a ocupar lugar de destaque entre os problemas de saúde pública do país.

Dados de uma série de estudos apontam as doenças mentais como responsáveis pela maior parte de anos de qualidade de vida perdidos devido a doenças crônicas. Os maiores vilões são a depressão, psicoses e dependência de álcool. Em seguida, estão as doenças cardiovasculares.

Segundo o estudo, entre 18% a 30% da população brasileira apresentam sintomas de depressão. A mortalidade por demência aumentou de 1,8 mil por 100 mil habitantes em 1996 para 7 por mil habitantes em 2007.

A depressão não escolhe faixa social. Estima-se que 8% das pessoas adultas em todo o planeta sofram de depressão e que 10 a 20% ainda serão vítimas desta doença em algum momento de suas vidas.

A depressão, ao contrário do que muitos acreditavam, não é um estado de espírito ou humor, mas sim uma doença que se manifesta de diversas maneiras, podendo levar à morte. Considerado um problema psicossomático, com sintomas físicos evidentes, é uma enfermidade causada por alterações químicas no cérebro, que afetam as emoções podendo também prejudicar a capacidade mental. O cérebro é formado por inúmeras células que se comunicam entre si, através de substâncias químicas chamadas neurotransmissoras. No caso das pessoas com depressão, as substâncias químicas deixam de circular como deveriam.

Sintomas da Depressão
Os sintomas mais comuns são tristeza, desânimo, insônia, apatia, falta de alegria, de apetite (algumas pessoas tem aumento de sono e de apetite), falta de desejo sexual, preguiça - até mesmo de fazer atividades simples como tomar banho, assistir televisão ou ler jornal. Ou seja, nos quadros depressivos há uma diminuição geral do nível de energia da pessoa. Quando um indivíduo enfrenta um processo de depressão, ocorrem pensamentos pessimistas e repetitivos. O doente perde o interesse por coisas que gostava de fazer ou por pessoas com as quais apreciava conviver. O paciente depressivo não consegue se concentrar em uma leitura ou guardar na memória o que leu. Muitas vezes aparecem ataques de ansiedade, acompanhados por sudorese, palpitações e tremor. Os pensamentos obsessivos também são comuns: a pessoa sabe que eles não fazem sentido, mas não consegue tirá-los da cabeça.

Outra característica é que problemas que antes eram resolvidos com facilidade se tornam tarefas pesadas e difíceis. Situações que anteriormente eram agradáveis perdem a graça. Alguns casos desta doença se caracterizam por dores vagas e difusas pelo corpo ou na cabeça. O intestino pode ficar preso, a boca amarga, a pele envelhecida, os cabelos e as unhas fracas e sem brilho. Muitas pessoas não conseguem nem sentir alegria nem tristeza ("sensação da falta de sentimentos"). A vítima da depressão ainda pode ficar com "ideias fixas". As principais são as seguintes: achar a situação financeira ruim e sem perspectiva, além de sentir-se culpado por coisas que fez e que não fez no passado.

A maior parte dos casos de depressão surge em consequência de um acontecimento negativo: a perda de uma pessoa querida; uma demissão sem aviso prévio; um abandono traumático; nestes casos chamamos de forma reativa da doença. Quando não é possível identificar facilmente a origem do problema, chamamos de quadro endógeno: é a forma mais grave; a única para a qual o uso de medicamentos é necessário.

Uma outra diferenciação é entre a depressão monopolar e a bipolar, conhecidas antigamente como maníaco-depressiva. Na depressão monopolar, o humor se mantém negativo e é presente uma diminuição psicomotora com alterações do ciclo sono-vigilia. Já os que são atingidos pela forma bipolar alternam longos períodos de desespero com momentos de euforia incontrolável, nos quais a hiperatividade é muito intensa, junto com uma exagerada consideração de si mesmo.


Dr. Leonard F. Verea – médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão, Itália. Especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Dinâmica. Especialista em Medicina do Trabalho e Medicina do Tráfego. É membro de entidades nacionais e internacionais. Atua como diretor do Instituto Verea e da Unicap.
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