segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Afinal, por que mentimos?


De acordo com o dicionário Howaiss, mentira significa “dizer, afirmar ser verdadeiro (aquilo que se sabe falso); dar informação falsa (a alguém) a fim de induzir ao erro, não corresponder a (aquilo que se espera); falhar, faltar, errar, causar ilusão a; dissimular a verdade; enganar, iludir, não revelar; esconder, ocultar”. Tais definições, no entanto, pouco dizem sobre os porquês da mentira. Por isso, vamos apresentar uma definição relacional (que leve em consideração o seu contexto).

As pessoas vivem 25% do próprio tempo mentindo. Esse é um consenso entre todos os que lidam de forma direta e indireta com o assunto. Na comunicação não verbal, ou seja, na linguagem das emoções, a mentira é percebível de forma mais simples do que na comunicação verbal. Quando utilizamos a comunicação verbal, a palavra, podemos mentir e omitir, dependendo de qual for o nosso interesse; em função da nossa habilidade, treino e sensibilidade, conseguimos atingir o nosso objetivo com uma certa facilidade. Na comunicação não verbal, a emoção, é possível identificar a mentira a partir da observação de um bom técnico em comportamento humano e em comunicação não verbal.

Quanto mais existe a necessidade de melhorar a imagem de si, ou de criá-la, mais as pessoas mentem
Difícil identificar um perfil específico do mentiroso, do mitomane puro, mas se procuramos nas várias transformações culturais ao longo das gerações passadas, encontramos desde a Eva que mentiu para Adão sobre ter comido a maçã, continuamos com mestre Geppetto e
Pinocchio, com o nariz que cresce, a Cuca que vai pegar... 

As pessoas mentem para se defender, mentem para se proteger, mentem para ter vantagens e serviços que nunca são conforme o prometido. A mentira tanto pode ser um meio como pode ser um fim para situações conflitantes. Ela deixa de ser ocasional, esporádica, para se tornar habitual e parte do contexto de vida das pessoas, provocando sofrimento e desgaste físico e emocional, além de gerar problemas jurídico-legais. O indivíduo mente desde a infância. Se tiver essa afinidade, mente para esconder um comportamento contrário à vontade dos pais ou da autoridade do momento, escola, padre da igreja, confissão, comunhão... Crescendo, mente para se sentir “up to date” com os amigos, sobre o desempenho sexual com o outro sexo, mente para passar a ideia de ser mais, de ter mais, de poder mais, porque assim acha que vai ser mais aceito e menos rejeitado. Dessa forma, seria um indivíduo que, pela própria carência, pela baixa autoestima, vive mais de aparência do que de realidade, perdendo pela transparência. 

Às vezes, para aquele jovem imaturo que quer recomeçar e assumir a sua fragilidade e retomar a viver uma realidade verdadeira, esse resgate é complicadíssimo, às vezes inviável, visto o emaranhado de sequelas, impressões e danos que a mentira, a mitomania gerou, e das quais não consegue mais se livrar, por ter perdido em algum lugar e em algum momento o “fio da Ariadne” que possa levá-lo a enfrentar o labirinto e vencer o Minotauro. 

A pessoa mente sem alguma necessidade, pelo simples prazer de achar, se iludir de ter tirado alguma vantagem ou benefício por meio da mentira: o maior cuidado é conseguir lembrar e não esquecer todas as mentiras e nuances delas para conseguir “manter o nível”.

E o mentiroso compulsivo?

Ele se aproxima mais da personalidade psicopata, quando no máximo do exagero da sua mentira: usa suas habilidades para tirar proveito, sua malícia. Não sente amor, vergonha, culpa, remorso. Busca somente o seu egoístico e solitário aproveitamento por meio de recompensas e gratificações imediatas. Com o passar do tempo e com o piorar do quadro patológico, o mentiroso compulsivo pode se transformar em um esquizofrênico paranoide, achando que é Napolão e/ou que é alguém que veio ao nosso mundo com a missão de nos salvar.

A personalidade do mentiroso, seja em qual idade for identificado, é de uma pessoa carente, frágil, com baixa autoestima, sempre ligado em querer agradar aos outros e ser aprovado por eles...

A teatralidade obrigatória para atender critérios de boa educação, cumprimentando pessoas que não interessam, acompanhando pessoas pelas quais vive um sentimento empático negativo, trazem aparentemente ganhos para o mentiroso e pela formação dele, rápida, superficial
e egoísta, mas, no final, o preço e o desgaste são imensos e a um custo elevadíssimo.

O caminho mais indicado hoje em dia é a TCC

Ou seja: a terapia cognitiva comportamental, porque ajuda o paciente a ter que se defrontar com a realidade dele, distorcida, versus uma realidade mais em sintonia com os fatos da sociedade na qual o indivíduo vive.
Conforme o peso da mentira, o indivíduo se incorpora a ela, acreditando ser e poder aquilo que a imaginação dele criou e permite alimentar, a ponto de tudo se tornar normal e natural. Não sendo descoberto e grudando cada vez mais no contexto, vai viver feliz, contente e realizado.

Grande responsabilidade é dos pais, que, desde a infância, dos filhos não conseguiram, não souberam, não quiseram definir e impor limites a eles para que crescessem dentro de limites e regras, não se tornando crianças inseguras, com baixa autoestima e, portanto, com enorme dificuldade de viver uma vida autônoma.

Dependente químico mente, querendo passar a ideia de estar abstinente, limpo, apesar das evidências contrárias. Precisamos estar atentos quando aparece um paciente, muito ágil, ligeiro, inteligente, que quer tirar vantagem.

Vendedores precisam mentir ou omitir para valorizar seu produto, assim como para sustentar situações e interesses criados por meio da mentira, e sempre haverá necessidade de mentir mais. Muitas vezes, o esforço maior é para sustentar essa mentira, e o quadro se tona como bola de neve, algo pequeno, mínimo, ao longo do tempo se torna algo enorme, complexo, do qual e muito difícil chegar à origem e à essência.

A cada ação corresponde uma reação igual e contrária: se a criança aprende que vai ser repreendida depois de fazer algo errado, vai aprender naturalmente a se proteger mentindo. Dessa forma, começa a desenvolver-se um adulto inseguro e mentiroso, que desde pequeno terá dificuldades de enfrentar as verdades e as realidades da vida, com as suas consequências.

Falsos elogios também podem ser considerados como mentira, desculpas exageradas e difíceis de serem acreditadas, assim como as “mentiras brancas”, ou seja, aquelas mentiras para justificar situações inocentes, como não querer atender alguém e mandar dizer que estamos ausentes etc.

Formas de ajudar os mentirosos a corrigir essa falha começam com exemplos, mostrando como é muito mais simples enfrentar uma verdade, por pior que possa ser, do que ter que conviver com o peso da mentira e com todas as consequências que isso acarreta.
Terapeuticamente, a TCC, terapia cognitiva comportamental, é a abordagem mais indicada, porque, por meio de exemplos e demonstrações, ajuda o paciente a aprender a enfrentar a sua realidade, reagir a ela e aprender a se assumir, melhorando a própria autoestima e vivendo a vida da forma mais simples e proveitosa possível.

A terapia que se utiliza da hipnose dinâmica também é muito eficaz, porque ajuda o paciente a entrar em contato com o próprio eu, com a própria essência, com o seu inconsciente e, através da própria imaginação, o paciente é estimulado a ver e refazer os processos da mentira, corrigindo-os, até conseguir criar uma visualização correta e gravar essa última versão como a definitiva no próprio registro mental.

Alguns comportamentos e atitudes da comunicação não verbal ajudam a identificar gestos e sinais peculiares de alguém que está mentindo:

- A pessoa que mente não olha direto nos olhos, desvia o olhar com frequência.

- Os olhos piscam com maior frequência do que normalmente.

- Os movimentos corporais, especialmente a cabeça, são projetados para trás.

- Os membros, tanto os superiores quanto os inferiores, ficam cruzados permanentemente, alternando a postura, o cruzamento.

- As mãos ficam tremulas e frias.

- A respiração se torna mais ofegante, com suspiros longos e intensos.

- Quando descoberto, o mentiroso perde a naturalidade e assume atitudes mais exageradas e exuberantes. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Solidão






A solidão pode ser contagiosa e se transmite num grupo social, como um resfriado. A informação é de um estudo feito nos Estados Unidos, a pesquisa destaca que, gradativamente, durante um período de tempo, as pessoas nessa situação acabam se afastando dos seus círculos sociais.

A SOLIDÃO PODE MATAR

A cada dia que passa, mais e mais indivíduos se queixam de um dos sentimentos mais antigos:   Solidão.  O que faz com que as pessoas se sintam reclusas em si próprias? O será que está acontecendo com a humanidade, cada vez mais individualista e solitária? É imprescindível que todos os dias o indivíduo repense seus valores, esqueça mágoas passadas, reconcilie-se consigo mesmo, estenda a mão, perdoe, sinta saudades, desabafe, medite, resgate amizades esquecidas, confraternize-se, integre - se, valorizando a vida e o seu semelhante. A falta destes hábitos são alguns dos agentes que fazem com que as pessoas se sintam só.  Por que a humanidade está cada vez mais individualista e os relacionamentos cada vez menos duradouros?  Parece  que o mundo está ficando grande demais e elas já não se encontram  dentro dele.  Embora esse sentimento seja único, cada um o experimenta de formas e sob condições diferentes: uns se sobrecarregam de tarefas, que nem sempre têm condições de realizar; outros  colecionam "pseudos amigos", com os quais pouco se relacionam dosando o grau de intimidade que os envolve. Inúmeras sugestões se afloram para minimizar a solidão que parecem fáceis e gratificantes.  Sobre o assunto, falamos com o Dr. Leonard Verea, Médico Psiquiatra especialista em Hipnose e Medicina Psicossomática.

1.       Há cura para a solidão?
Dr. Verea - O homem é o único animal que não sobrevive sozinho.  Como seres sociais precisamos estar no meio de pessoas, conviver com os outros para poder encontrar nosso equilíbrio.  Vivemos em função de símbolos positivos e/ou negativos que nós mesmos alimentamos.  Culturalmente, nos acostumamos a certos preconceitos e limites que nos fazem sofrer muito, especialmente quando estamos sozinhos. Sentimo-nos, muitas vezes, inseguros a ponto de procurar e freqüentar lugares com "gente", mas temos dificuldades em ir sozinhos a festas, cinemas, restaurantes, etc.  Juntando estas informações, encontramos a cura para a solidão: SAIR... não ficar fechados dentro de casa, do casulo que nos prende e sufoca; sair do ambiente que propicia a alimentação dos símbolos negativos que nos levam à tristeza e depressão. Precisamos nos forçar para ir encontrar "gente", buscar nossa "tribo", freqüentar todos aqueles ambientes que gostamos e que podem nos oferecer oportunidades para jogar para trás a solidão.  O isolamento excessivo é prejudicial.

2.       Uma solidão é diferente das solidões dos outros?
Dr. Verea - A solidão é uma sensação individual.  Existe a solidão de quem está longe da família; a solidão de quem não tem família nem amigos; a solidão de quem não pode mostrar fragilidade, que leva à insegurança, medo, etc. Como exemplo podemos citar um dirigente de uma empresa ou de uma nação, sempre solicitado a cumprir um papel importante ou a tomar decisões às vezes difíceis e que em hipótese alguma pode  mostrar o outro lado da sua personalidade.  Pode-se também sentir solidão até acompanhado.

3.       Por que tanta gente se sente só mesmo estando acompanhado?
Dr. Verea - Solidão é algo que diz respeito a nós mesmos, a forma de como encaramos a vida e de como criamos a relação de complementaridade com a vida versus a relação de competitividade. Podemos nos sentir tremendamente sozinhos no meio da multidão, se não nos identificamos com ela, assim como podemos nos sentir muito bem sozinhos, se precisamos daquele momento de reflexão para entrar em equilíbrio conosco e com a vida.  Neste caso, a solidão é saudável.

4.       Quem sofre mais com a solidão:  o homem ou a mulher?
Dr. Verea - Acho que é equivalente, porém o homem tem menos preconceito em sair sozinho e buscar companhia do que a mulher.

5.       Solidão depende de idade?  É mais acentuada na velhice?
Dr. Verea - Não, mas a velhice,m infelizmente, acentua todas aquelas dificuldades que se desenvolvem ao longo da vida.

6.       Solidão e depressão podem estar relacionadas com riqueza ou pobreza?
Dr. Verea - Podem.  Uma pessoa às vezes se isola, pois acha que todos que dela se aproximam buscar seu dinheiro.  E isso é realmente lamentável.

7.       A solidão pode se transformar em doença?
Dr. Verea - Sim, quando não conseguimos enfrentar e vencer este sentimento, sentimo- nos cada vez mais frágeis e expostos às intempéries da vida, portanto menos imunes, fortes, resistentes às doenças. Começamos a alimentar uma baixa auto-estima, nos gostando e nos aceitando cada vez menos, nos tornando cada vez mais impotentes, chegando à depressão física e emocional.  A cura está no aconselhamento profissional.  Somos especialistas na cura pela hipnose e na medicina psicossomática.

8.       A solidão pode gerar inveja?
Dr. Verea - Quando se vive uma baixa auto-estima e um estado depressivo, invejar a vida dos outros é muito mais fácil e interessante, ajudando a alimentar este círculo vicioso.

9.       As pessoas podem até cometer homicídios por ter auto-estima baixa?
 Dr. Verea - É muito mais comum cometer suicídio, por achar, num certo ponto da vida,  de que nada mais vale a pena.

10.  Dê algumas dicas para minimizar o problema, enquanto um tratamento médico não chega.
Dr. Verea - Cultive seu carisma e torne sua personalidade mais marcante. Estude, leia e se atualize, Descubra o segredo de uma convivência feliz, integral, saudável e verdadeira, sem discriminações ou preconceitos. Participe. Não deixe que o isolamento social se torne uma grave doença.

Seja sincero e sensível com os outros.

Cultive o hábito de sorrir e do bom humor.

Cumprimente as pessoas pelo aniversário, nascimento de um  filho ou um trabalho bem feito.

Não economize palavras tais como: muito obrigado; bom dia; com licença; por favor; parabéns.

Comunique-se sempre que puder, telefonando, enviando cartões, flores, bombons. Todos gostam de ser  lembrados -   inclusive você.

As pessoas mais carismáticas e admiradas são aquelas, cuja  humildade é sua maior virtude. Não seja arrogante.  Saia de uma  batalha, de onde todos sejam vencedores - inclusive você .

Interesse-se pelo próximo ajudando-o e descobrirá a magia de se sentir útil.  É preferível ajudar do que precisar de ajuda.

Procure admirar e não invejar, incentivar e não encolher, ser escolhido e não escolher.

O crescimento interno certamente o fará se livrar do eremita que há dentro de si, dando lugar a uma nova pessoa admirada.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Hábitos que evitam o estresse







- O estresse pode ser evitado com alguns hábitos do dia a dia? Por que o estresse está tão relacionado com a forma como lidamos com ele?
R. Sim sem dúvidas, pequenos hábitos, como respiração e mudanças no dia a dia ajuda a controlar o estresse. Vale lembrar que todo stress tem seu ponto positivo (pessoas que gostam de trabalhar sob pressão, produzem mais e se sentem motivadas ao trabalho) e o ponto negativo, quando o stress começa a afetar o relacionamento amoroso ou interpessoal, seja na empresa, na família, na escola ou nas amizades. Este é um sinal de que a pessoa ou a empresa está doente. O stress é o estado psicoorgânico produzido pela defasagem entre o potencial do indivíduo e o desafio que ele precisa enfrentar e o Distress são as alterações lesivas decorrentes de excesso de stress. Para administrá-lo, não nos limitamos a proporcionar relaxamento. Muito mais importante é aumentar a sua energia para que o seu potencial suba e possa enfrentar o desafio. O stress em si não é uma coisa ruim. Sem ele o ser humano ficaria vulnerável e não conseguiria lutar, trabalhar ou criar com a necessária agressividade. Mal é o excesso de stress ou a falta de controle sobre ele. Problemas emocionais e financeiros, desemprego, separação conjugal, perda de ente querido, novo emprego e outros são fatores que provocam o stress, quando excedem os limites de tolerância de cada indivíduo. Ficar alheio a esses sintomas é afastar-se do equilíbrio total, o que pode significar o mascaramento de desejos e afetos pessoais que, uma vez reprimidos, geram energias negativas, cujo produto será desconforto, tensão, ansiedade, insegurança , estafa do organismo. Entre as conseqüências mais freqüentes dessa tensão figuram insônia, cansaço físico e mental, dores de cabeça, distúrbios circulatórios, gastrintestinais, hepato-biliares, impotência, frigidez, redução das defesas imunológicas, diminuição da capacidade de concentração, agressividade, passividade e outras. Mas como identificar o Distress nas organizações? Ele se maniesta na queda da eficiência; absenteísmos repetidos; insegurança ou postergação nas tomadas de decisões; sobrecarga voluntária de trabalho; irritabilidade, grande nível de tensão; competição não saudável; politicagem; falta de espírito de equipe; "panelinhas"; fofocas; desconfiança de tudo e de todos; grande dependência de um líder e outros sentimentos negativos que tornam o ambiente carregado, improdutivo e o clima inseguro e insustentável. Ociosidade e greves são passivas de acontecer. O stress em si não é uma coisa ruim. Porém, mal é o excesso de stress e a falta de controle sobre ele. Por outro lado, existe o EUSTRESS, que é a forma positiva de stress, que se manifesta mediante uma forma eufórica de satisfação e felicidade que também estressa. É o caso das grandes paixões, assinatura de um grande contrato, conquista de uma promoção ou outra situação positiva, mas que também podem esgotar euforicamente os envolvidos. Esse sentimento, embora positivo é tão estressante quanto o seu oponente, o DISTRESS. Administrar o stress e distress pessoal, social e empresarial é o segredo. A solução para grandes problemas é, na maioria das vezes, bem simples. Nós é que complicamos demais quando as buscamos. Pensar e procurar solução é uma tarefa muito gratificante, quando somos capazes de desfrutar do prazer da descoberta. Caso contrário, fica o distress.

- Uma alimentação balanceada ajuda a prevenir o estresse? De que forma?
R. O estresse é um conjunto de reações fisiológicas que em excesso leva a um desequilíbrio no organismo, que pode causar aumento na produção de radicais livres, diminuição da imunidade e uma maior vulnerabilidade a doenças. Ele apresenta três fases: alarme, resistência e esgotamento. Logo após a terceira fase podem aparecer problemas gastrointestinais (azia, gastrite, obstipação), dores de cabeça, perda de memória ocasional, hipertensão, doenças cardiovasculares, dores musculares, queda de cabelo, fadiga, ansiedade, aumento ou redução do apetite, entre outras. Existem dois tipos de estresse: o agudo é mais intenso e rápido, causado por uma situação passageira (perda de um ente querido). Mas o que atualmente mais atinge as pessoas é o estresse crônico, mais constante e que progride de forma acumulativa no dia-a-dia (alimentação inadequada, sobrecarga pessoal ou profissional, fumo, baixa auto-estima, medo, trânsito e etc.). A alimentação exerce um papel fundamental no controle do estresse. Durante o processo de estresse o organismo perde vários nutrientes, vitaminas e minerais. A ingestão excessiva de cafeína, açúcar e sal podem agravar a resposta do organismo ao estresse. Em compensação, uma alimentação balanceada ajuda a prevenir e até controlar o estresse. A perda de nutrientes, vitaminas e minerais deve ser compensada com um maior consumo de cereais integrais, verduras (brócolis, chicória, acelga e alface) e frutas – ricas em vitaminas (A, C e do complexo B) e minerais (zinco, magnésio e manganês). O ideal é consumir alimentos naturais de cores diferentes. Quanto mais colorido o prato, mais antioxidantes (combatem os radicais livres) serão ingeridos. De preferência fazer de 4 a 6 refeições ao longo do dia, para atenuar a ação dos hormônios do estresse. Também é importante praticar atividade física, pois ajuda a aliviar os sintomas do estresse.

- A ingestão de nutrientes como o triptofano, magnésio, taurina, teanina, vitamina C, entre outros, pode ajudar na produção de neurotransmissores ligados ao bem-estar? De que forma?
R. Sim, sem dúvidas, Espargos contém ácido fólico, vitaminas B e C e contêm um estabilizador de humor. Os nutrientes em espargos ajudam serotonina de formulário, um neurotransmissor monoamina encontrada no trato gastrointestinal e sistema nervoso central. Serotonina regula o humor, sono, apetite, contração muscular e auxilia na retenção da memória e concentração. Espinafre fornece magnésio um redutor de estresse natural. Espinafre contém altos níveis de ferro, cálcio, ácido fólico e zinco. Peixes ricos em ômega-3 ajuda a evitar picos de estresse em tempos de crise. Ômega-3 é também importantes para o sistema circulatório. Ômega-3 reduzem a frequência cardíaca, triglicérides e pressão arterial. Estresse pode causar a pressão aumentar. A adição de ômega-3 ajuda a diminuir esse atributo que pode levar a ataques cardíacos e derrames. Frutas cítricas são ricas em vitamina C, que estimula o sistema imunológico. Estresse reduz radicalmente a capacidade de corpos para combater a infecção. A adição de vitamina C pode reduzir drasticamente a chance de infecção e doença. Frutas ricas em vitamina C incluem toranja, laranja, limão e limão.


- Por que a atividade física está tão ligada ao relaxamento e redução da ansiedade?
R. A prática regular de atividade física é hoje uma das maneiras mais eficazes e divulgadas de combater o estresse. Diversos estudos científicos comprovam os benefícios para o organismo proporcionados pela prática rotineira de exercícios. Entre eles, auxilia a reduzir os níveis de ansiedade e de depressão, melhora o estado de humor, aumenta a sensação de bem-estar e eleva a autoestima.Correr ou caminhar habitualmente, além de ajudar as pessoas a se desligarem por algum tempo das preocupações e angústias de seu cotidiano, produz uma série de benefícios psicofisiológicos por meio da liberação de certos hormônios produzidos pelo organismo. A adrenalina (epinefrina) age na redução do estresse, o cortisol atua como antiinflamatório, o glucagon aumenta a quantidade de glicose no fígado, o GH (hormônio do crescimento) transmite bem-estar e a endorfina produz a sensação de prazer e melhora a qualidade do sono. Faça exercícios. É ótimo para o corpo e também para a mente.

- Qual a relação entre o riso e os hormônios que regulam o estresse? Quais os benefícios do riso para quem tem propensão a ficar estressado?
R. Riso na verdade libera endorfinas, que são hormônios que promovem a sensação de bem-estar e ajudá-lo a se sentir bem, e isso reduz o nível de hormônios do estresse como a adrenalina, o cortisol, ou adrenalina e dopamina. Ela também ativa a sua resposta ao estresse e, em seguida, resfria-lo para baixo, aumentando a sua freqüência cardíaca e pressão arterial e criando uma sensação de relaxamento. O riso também estimula a circulação e ajuda a relaxar os músculos, o que reduz os sintomas físicos do estresse. Além disso, ele ajuda a distraí-lo de emoções aflitivas, como a raiva, tristeza e ansiedade, e permite-nos ver as coisas de uma perspectiva mais leve, fazendo com que situações parecem menos avassaladora. O riso também neutraliza a tensão entre as pessoas durante argumentos ou conflitos, permitindo um ambiente mais descontraído para se formar.Apesar de aliviar o estresse é um dos principais benefícios do riso, há também muitas outras coisas que podem ajudá-lo com, fisicamente, mentalmente e socialmente. Entre os benefícios físicos é um forte sistema imunológico, como os pensamentos negativos podem causar reações químicas que podem aumentar o estresse e diminuir a sua imunidade, enquanto os pensamentos positivos liberar neuropeptídeos, o que pode ajudar a combater não apenas o estresse, mas doenças graves mesmo. O riso também alivia a dor, fazendo com que o organismo a produzir seus próprios analgésicos naturais, e protege o coração, melhorando a função dos vasos sanguíneos e fluxo de sangue, o que previne ataques cardíacos e outros problemas cardiovasculares.

- Quais hormônios liberados durante o sexo podem ajudar a melhorar a resposta ao estresse?
R. O sexo pode ajudar a curar a depressão porque o contato íntimo produz alterações químicas cerebrais melhorando o humor devido a liberação de testosterona, estrogênio, prolactina, hormônio luteinizante e prostaglandina na corrente sanguínea. Os hormônios regulam as funções do corpo e também a capacidade de lidar com o estresse, por isso, sem os níveis hormonais adequados não é possível ter um funcionamento sexual ou cerebral eficiente, e apesar de não ser possível controlar de forma direta as alterações hormonais, buscar ter uma vida saudável no que diz respeito à sua intimidade, mas também a alimentação, atividade física, sono e controle da pressão arterial, são boas atitudes a tomar para buscar o equilíbrio hormonal.

- Pessoas com uma rotina de sono bem estabelecida têm menor propensão a ter problemas com estresse? Por quê?
R. O sono normal é reparador e vital, como a alimentação e a respiração. Tem início com um quadro de sonolência superficial, evoluindo com o passar do tempo para estágios de maior profundidade, onde há total repouso do sistema nervoso central e relaxamento muscular completo, envolvendo não somente os músculos dos braços e pernas, mas também a musculatura do coração e dos vasos sanguíneos. Aos poucos, há redução da pressão arterial e o trabalho cardíaco se torna menor. No estágio de sono profundo, nós descansamos e sonhamos. Todo o nosso organismo repousa e se recupera do stress e do trabalho diurno. O sono tem se mostrado tão importante para a saúde das pessoas que passamos a estudar a sua qualidade além da sua duração. Nos últimos 30 anos, a média de sono noturno das pessoas sofreu uma redução de 8/9 horas para 6/7 horas. Entre os americanos, a média de sono é ainda menor, uma vez que 30% deles dormem menos do que 6 horas por noite. Vários estudos recentes têm relacionado a privação do sono com a ocorrência aumentada de obesidade e de diabetes tipo 2. Por outro lado, dormir as cerca de oito horas recomendadas não significa sono reparador. Nesse contexto, a situação mais comum é a chamada apnéia do sono, uma forma de dificuldade respiratória, que cursa com obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores, resultando em períodos de parada respiratória, baixa oxigenação sanguínea e despertares noturnos frequentes. Ambas as condições, privação e má qualidade do sono estão relacionadas com a ocorrência de obesidade. Apesar de ainda não comprovadas, as prováveis causas dessa relação podem estar associadas ao stress crônico. Além dele, várias alterações hormonais induzidas pela privação de sono podem influenciar o ganho de peso, como é o caso da grelina e leptina, hormônios relacionados ao controle da fome e da saciedade e que tem se mostrado alterados nos distúrbios do sono.

- Controlar a respiração ajuda a melhorar a ansiedade e o estresse? De que forma?
R. A respiração controlada reduz os níveis de cortisol (hormônio do estresse) no sangue, melhora o sistema imunológico, aumenta a concentração, a sensação de bem-estar, controla a ansiedade, restabelece o sono e ajuda a combater a depressão. Todo o nosso corpo tem um ritmo. Você come a uma certa hora, sente sono e a uma certa hora... respirar também tem seu ritmo. Se ele estiver desequilibrado, é aí que ficamos doentes, depressivos. Quando fazemos essa respiração, retomamos o ritmo normal do corpo e voltamos ao equilíbrio.

- Estudos recentes têm relacionado a bagunça ao estresse, principalmente em mulheres. Como isso funciona?
R. Uma mesa de trabalho, casa ou qualquer outra coisa desorganizada pode gerar uma mente desorganizada. Sentimentos de estresse, ansiedade e esgotamento são comuns em meio a desorganização, ao ponto da pessoa não saber por onde começar uma arrumação.

- Muitas pesquisas relacionam o estresse ao uso constante do celular. Por que isso acontece?
R. Chamamos isso de doença da vida moderna, hoje as pessoas ficam conectada quase que 24 horas. O uso exagerado do aparelho, além de comprometer a atenção dos das pessoas, reduz o desempenho e pode causar baixo astral. O celular não foi feito para ser usado durante todo o dia, como vemos diversas pessoas fazerem. Além de tirar a concentração, ele pode fazer com que a pessoa se torne dependente do seu uso, gerando até  tristeza e depressão.