segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Maturidade x Autoestima




 

A maturidade é o tempo das responsabilidades materiais, como o trabalho, a família e as relações afetivas. Nessa fase, os objetivos que o indivíduo definiu deveriam ter sido alcançados. Normalmente a pessoa tem uma atividade profissional estável, não tem mais grandes lutas para chegar. Economicamente a situação é em geral mais tranquila. Afetivamente, os projetos são a longo prazo, e os investimentos são maiores nessa esfera. O que caracteriza essa fase da vida é o sentido da “responsabilidade”, que é posta em pauta em todos os aspectos: no trabalho, sobre a capacidade de gerir uma função profissional, nos aspectos econômicos, assim como nas situações familiares. Existem responsabilidades materiais com os aspectos práticos da vida, compras, vendas de bens, gestão da casa, etc. Existem responsabilidades afetivas, na escolha de manter uma relação de casal estável, mesmo sem chegar ao casamento. 

Existe também uma responsabilidade paternal, no sentido de existir a possibilidade primeiro emocional e depois real de ser pai, tanto para quem já tem filhos e enfrenta os prazeres e dores de criá-los como para quem está elaborando a escolha de não tê-los ou a dor de não os poder ter. 

“Os inimigos da autoestima nessa fase da vida estão nas situações mencionadas acima”, explica o Dr. Leonard F. Verea, psiquiatra
especialista em Hipnose Dinâmica. 

“No trabalho, o peso das responsabilidades: lutou tanto para chegar a ter o status profissional e, agora que possui tudo o que desejava, não consegue manter o ritmo. Administra tudo dando o máximo de si, mas paga o preço de não ter mais energias para o resto: não consegue cultivar as amizades, nem mesmo uma relação afetiva estável. Sente-se sozinha e avalia o próprio valor em função dos objetivos que alcança. Outra manifestação é com a insatisfação com o próprio trabalho: trabalhar serve somente para ganhar dinheiro e poder fazer aquilo que gosta. Mas passar o dia inteiro fazendo algo que não curte muito começa a se tornar difícil de sustentar, e o indivíduo começa a se sentir muito frustrado. Não percebe alternativas, e na realidade nem as procura: a sua autoestima decai e começa a ter a sensação de que não vai poder continuar assim por muito tempo. Outra situação é quando não se sente realizado profissionalmente: estudou durante muitos anos para poder desenvolver a atividade dos sonhos, mas até hoje está ainda engatinhando. A sensação é de não chegar nunca e, dia após dia, suporta a injustiça do mundo e dos colegas, alimentando sempre projeções para o amanhã e sonhos de vingança” explica Dr. Leonard. 

Amor x baixa autoestima

Na relação de casal, uma das situações que alimentam a baixa autoestima é o fato de o indivíduo ser ainda solteiro contra sua vontade. O fantasma de ficar sozinho a vida toda começa a ser cada vez mais presente nos seus pensamentos e, junto com ele, a ansiedade de ter que fazer algo para reparar isso: toda vez que sai, o objetivo é encontrar alguém; quando encontra, não vive livremente esse momento, está sempre avaliando se o outro merece o seu tempo. Resultado? Todos fogem, e você fica sempre mais sozinho, firmando cada vez mais a ideia de que não merece o amor de alguém. Outra manifestação na relação de casal é não ter uma relação feliz: vive uma relação há muitos anos e sente que, mesmo que os dias passem sem prazeres nem cumplicidades, não pode mais mudar de ideia. Por outro lado, muitos dos seus amigos vivem uma relação parecida: justifica isso dizendo que o amor e a paixão acabam com o tempo, deixando espaço a um afeto mais brando. O problema é que o seu corpo, mais sábio, não acompanha a sua racionalidade, e denuncia o mal-estar com uma série de somatizações: cefaleia, distúrbios sexuais, ansiedade, nervosismo, insônia, falta ou excesso de apetite etc. Outra situação é quando o parceiro trai: raiva, desilusão e cinismo são os ingredientes que essa situação cria em você e que abalam sua autoestima profundamente.

Todos se sentem na obrigação de lhe dizer o que fazer, e você não consegue entender o que realmente deseja. Perdão? Vingança? Fuga? Muitas perguntas sem respostas, mas finalmente uma dúvida cruel, que põe fim à sua autoestima já muito abalada: “Se fui traído, talvez tenha sido por merecer”. A relação na qual acreditava acabou: tinha feito muitos planos, alguns postos em prática: a casa, o casamento, os filhos. Improvisadamente sente-se sozinho, como acordando bruscamente de um sonho. É uma realidade que dá medo. Como recomeçar? Onde errou? Quem vai te querer agora? Como perceber quem será a pessoa certa? Os sentimentos de culpa e a sensação de fracasso completam a obra, e a dificuldade maior é encontrar um sentido no que aconteceu.

Na relação com os filhos

Sentir-se culpado por achar não ter conseguido criar um bom relacionamento com os filhos é uma ameaça para a boa autoestima. “Não consigo ter filhos.” Tentou de todas as formas. Talvez nem tenha uma causa física, mas nada de engravidar. A vida inteira ouviu dizer que a mulher se realiza plenamente quando tem filhos, e isso não a ajuda. Aliás, sente-se inadequada, com muitas perguntas e dúvidas, e isso gera uma ansiedade cada vez maior; nem consegue aceitar que sua vida é valiosa, mesmo sem ter filhos. “Não sou um bom pai.” Filhos rebeldes ou com dificuldade na escola? A resposta é que não serve como pai. Mesmo que tenha feito o melhor para que tudo desse certo, culpa-se porque tem pouco tempo para dedicar aos filhos, culpando assim também suas atividades. Se o parceiro tenta minimizar o fato, sente ainda mais o peso da responsabilidade nas costas. “Sinto-me abandonado pelos filhos que se tornam adultos.” Tudo deu certo até que os filhos precisavam de você. Mas, agora que estão crescendo, que se tornam cada vez mais autônomos e não dependem mais dos pais, você se sente inútil. Ser pai era visto como sinônimo de “dar”, e agora, junto ao prazer de ver os filhos se tornarem adultos, o medo de perdê-los e de não servir mais para nada é cada vez mais presente.

A crise da meia idade é um momento crítico com o qual todos vão ter que lidar

A vida parece ser sempre a mesma, e a pessoa sente a necessidade de fugir dos hábitos, da rotina. O parceiro que conhece há muito tempo não reserva surpresas nem fortes emoções. E você? O corpo não tem mais a energia de um tempo: as rugas, a barriguinha, os cabelos grisalhos não somem da sua frente. Parece que não gosta de mais nada de você, nem dentro nem fora. É muito fácil nesse momento da vida achar que pode resolver a crise com algumas folias: uma atitude inconsequente no trabalho, um amante, a compra de algo caro e luxuoso... Seja bem-vinda à folia saudável, se isso te permite manter ao longo do dia uma postura consciente de leveza. Mas o perigo existe quando essas atitudes são uma fuga da realidade, perigosas e difíceis de gerir, que, quando voltar à real, podem fazê-la se sentir pior do que antes.

A menopausa é considerada como o fim da vida fértil, mas, para muitas mulheres, representa ainda um momento dramático da própria vida, um momento a ser postergado o máximo possível, mesmo recorrendo a fármacos. Muitas mulheres ignoram o sentido mais simbólico da menopausa: a mulher passa da capacidade de gerar um filho à possibilidade de elevar a própria energia e se abrir para uma capacidade de gerar bem mais ampla. A sexualidade, liberada finalmente do risco da concepção, pode ser vivida com maior leveza e espontaneidade.

Na prática: viver o prazer pelo prazer

Uma happy hour com os amigos antes de voltar para casa? Por que não? Fazer amor de manhã logo após acordar antes de ir ao trabalho? Por que não? Sim, não resista! Viva o presente! Quem quiser ser feliz, seja. Do amanha não se tem certeza. Gozar das coisas boas não cansa, aliás, descansa o cérebro e o regenera. Esvaziando a mente, o prazer elimina as recriminações e ativa as áreas cerebrais que produzem bem-estar. Viva as situações imprevistas como algo bom, que pode agregar coisas boas à sua vida. Elimine as frases em “negativo”, as frases em “absoluto”, os “porquês”, os verbos no “condicional”. Evite se comparar com o passado, evite as promessas para o futuro. Mude sua imagem: às vezes, estamos muito presos a uma imagem antiquada de nós mesmos. Roupas, acessórios, penteado novo ajudam a fazer com que nos sintamos bem desde o começo do dia. Vestir a roupa que mais gosta, fazer isso por si mesmo, para se gostar cada vez mais.

Os cinco alicerces da autoestima são:

1) Conhecer a si mesmo: desenvolver a capacidade de se desprender das coisas materiais, vivendo a sensação de intenso e íntimo bem-estar, independentemente dos fatores externos.

2) Conhecer o universo: viver em equilíbrio consigo e com o mundo, sem passar o tempo se questionando sobre o porquê vive ou sofre, mas “dançando conforme a música”, sem julgamentos, aproveitando o máximo do que a vida tem de bom a oferecer.

3) Ser consciente: não viver seguindo princípios morais predefinidos, mas estar presente ao que acontece ao seu redor, agindo conforme o momento e o bom senso, sem pré-julgamentos: dessa forma, nos regeneramos e nos reconstituímos permanentemente.

4) Ser livre: viver livre dos rótulos, dos preconceitos, das ideologias e dos valores pré-concebidos; ter liberdade com as paixões, com os sentimentos, para que sejam vividos de forma ativa e não passiva; ter liberdade para consigo mesmo.

5) Encontrar o próprio talento: desenvolver a capacidade de se renovar e de se recriar: aproveitar a própria criatividade em tudo aquilo que se faz, tanto nas coisas mais simples, como nas atividades mais complexas.

“Ser consciente da própria personalidade e agir sem medo do julgamento dos outros.” Isso é muito mais do que uma simples definição: é conhecer a si mesmo, é ser livre das expectativas e dos julgamentos, é encontrar o próprio talento e não ter medo de expressá-lo. Somente assim poderemos ser felizes, finaliza Dr. Leonard.



quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Vídeo emocionante mostra como é a rotina de uma pessoa com depressão

A depressão atinge 1 a cada 5 pessoas no mundo e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a doença mais incapacitante atualmente. .8% das pessoas adultas sofrem de depressão em todo o mundo e aproximadamente 15% vão sofrer de depressão em alguma fase da vida. Os números são válidos para o Brasil também.

Normalmente é identificada por uma tristeza profunda, mas envolve também fatores químicos e emocionais. Existem particularidades importantes sobre a doença, mas que muita gente desconhece. Veja a seguir algumas informações que todo mundo precisa saber:
  • A depressão nem sempre é percebida como uma tristeza profunda. Desânimo excessivo e a perda da vontade de fazer coisas que antes proporcionava prazer também são indícios da doença.
  • Mudanças bruscas em alguns hábitos, como perda de apetite ou excesso de fome, falta de sono ou cansaço extremo também podem ser fatores que indicam que tem algo de errado.
  • Mal humor e raiva com tudo e todos muitas vezes não é apenas um traço da personalidade.
  • Não é preciso estar em estado de profunda tristeza para procurar um médico. Quando alguns sintomas permanecem por algumas semanas já é recomendado procurar a ajuda de um profissional. 


A maioria das pesquisas indica que 60% das pessoas com depressão são mulheres, porém, apesar das mulheres tentarem mais suicidios, os homens depressivos conseguem, mais do que as mulheres, a concretizar o fato.

Acredito que os aspectos culturais que influenciaram as gerações anteriores aos anos 80, tenham reflexos importantes ainda hoje. Apesar da presença feminina na vida ativa da sociedade ser cada vez mais influente, existem ainda casos de cidadãos educados pelos princípios de que a mulher deve ficar em casa e cuidar dos filhos. com toda a tecnologia à disposição de todos nós.

.A mulher que fica com muito tempo ocioso tem a sensação de impotência e essa depressão, mais as alterações hormonais que acontecem com a mulher na fase reprodutiva, são responsáveis pelo agravamento do problema no sexo feminino

.A depressão geralmente se manifesta entre 15 e 24 anos. Podemos detectar indícios de depressão em muitas situações, sendo que as mais comuns e importantes são quando as pessoas começam a viver sem ter desejo, nem motivação para "fazer' e/ou "ser"; quando a pessoa deixa de se cuidar, tanto no aspecto fisico, como no aspecto cultural (p/ex. lendo jornais, se atualizando), quando não consegue por para fora de forma natural toda a tensão acumulada e começa a utilizar "artificios"

O termo depressão se popularizou e as pessoas nomeiam muitos problemas como sendo depressão e muitas vezes isso não é verdadeiro. Diante disso, acredito que tenham criado um estigma para a depressão.
 
 A depressão maior se caracteriza por episódios depressivos recorrentes que às vezes podem ocorrer uma vez na vida; a doença distímica é uma depressão crônica, de baixo grau de intensidade, permanente, com inicio precoce antes ou durante a adolescência.

Clinicamente, a depressão acontece quando há uma diminuição na quantidade dos neurotransmissores liberados e o sistema nervoso funciona como se estivesse com menos energia. Os neurotransmissores são responsáveis pelas trocas de informações do sistema nervoso central.

A depressão é considerada uma doença de origem psicossomática com sintomas fisicos evidentes, ligados a causas e a efeitos.

Katarzyna Napiórkowska, atriz e diretora produziu um vídeo emocionante onde ela narra como é a vida de uma pessoa depressiva em vários estágios da vida. O filme mostra como a doençase torna uma rotina e um desafio imenso. 


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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Você tem medo de quê?







Ter medo não é sinal de fraqueza, o sentimento é normal e até necessário à nossa sobrevivência. Ele só precisa ser investigado se começa a atrapalhar as tarefas do dia a dia, interferindo na qualidade de vida.
Desde o tempo das cavernas, o medo já salvou o ser humano de muitos perigos: foi esse sentimento que levou os nossos ancestrais a botarem sebo nas canelas para fugir dos imensos tigres-dentes-de-sabre, por exemplo. E, se não fosse o medo, talvez não estivéssemos mais aqui para contar essa história… No entanto, medo em excesso pode ser sinal de fobia. O medo é uma reação emocional a um perigo real externo, enquanto a fobia é um medo irracional, geralmente acompanhado de muita ansiedade, em relação a algo que não apresenta riscos imediatos. Enquanto o medo nos faz mais prudentes, a fobia nos paralisa, nos impede de enfrentar situações que são necessárias ao nosso crescimento.
As fobias mais comuns
Existem inúmeras fobias, mas todas elas são geralmente divididas em três categorias:
• Agorafobia: inclui o medo de espaços abertos, de multidões ou de ficar preso num local ou numa situação em que a fuga seria muito difícil ou embaraçosa. Pode estar associado ao transtorno do pânico.
• Fobia social: envolve vários tipos de medos, como o de se expor em público diante de outras pessoas ou de interagir em eventos sociais.
• Fobia simples: inclui medos mais específicos, como de altura, aviões, animais, doenças etc.
Tão diversas quanto os tipos de fobia podem ser as causas delas. As fobias estão relacionadas com a maneira como cada pessoa processa suas vivências e traumas. O importante é que, uma vez diagnosticada, a fobia seja tratada adequadamente. Do contrário, ela pode prejudicar muito a vida pessoal e profissional.
O medo é uma emoção saudável no ser humano. Normalmente, nos protege contra ameaças reais à vida. Todas às vezes, que nos deparamos com circunstâncias inesperadas, que representam perigo, surgem os sintomas desse quadro. Mas o que devemos fazer quando tudo, qualquer situação cotidiana, nos causa essa insegurança e nos paralisa?
"Um dos efeitos do medo é perturbar os sentidos e fazer com que as coisas não pareçam o que são." Miguel de Cervantes – Dom Quixote, século XVII.
Quando o Medo se Torna uma Doença
O medo patológico limita de alguma forma a vida das pessoas. O problema é mais comum do que se possa imaginar e vêm sendo registrado com frequência cada vez maior em consultórios psiquiátricos e clínicas psicológicas. O medo patológico se diferencia do normal por vários motivos:
• não tem razão objetiva;
• não tem base na realidade concreta;
• o próprio paciente sabe ser absurdo o que sente;
• provoca uma aflição (ansiedade) desmedida e
• é acompanhado de sintomas físicos (falta de ar, sudorese, etc.)
O exagero é um quadro clínico de fobia ou de pânico e, normalmente, está relacionado à ansiedade patológica, angústia e, principalmente, depressão. O indivíduo com síndrome de pânico sofre tremedeiras pelo corpo; é tomado pela tontura súbita, a pressão arterial dispara e coração bate descompassado. Os sintomas são parecidos com os de um infarto e, nesse instante, a morte ou a loucura iminentes parecem certas. Depois da primeira crise, o paciente costuma submeter-se a uma batelada de exames clínicos; o médico verifica que não há nada de errado e, mesmo assim, as crises continuam. Um dos piores aspectos do pânico é o "medo de ter medo".

Tratamentos combinados
Quando tratada, a fobia tem controle. Assim, ninguém precisa ficar sofrendo anos a fio por causa desse transtorno. Há, atualmente, diversos recursos terapêuticos que, podem, inclusive, ser combinados. Um deles é o tratamento medicamentoso, que geralmente é feito com antidepressivos e ansiolíticos, sempre supervisão médica. A boa notícia para quem sofre desses “males da vida moderna” é que, ao contrário de antigamente, já existe um grande leque de tratamentos para essas doenças. Os remédios - antidepressivos e ansiolíticos - são uma opção. Entretanto, para quem não quer se submeter às dosagens medicamentosas, uma excelente alternativa de cura é o tratamento através da medicina psicossomática e hipnose dinâmica. 


domingo, 3 de janeiro de 2016

Matéria na rádio CBN - Estresse pós-traumático tem relação com outros problemas de saúde

De acordo com o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, em 80% dos casos, pacientes desenvolvem doenças cardiovasculares, hipertensão e diabetes. Acompanhe entrevista com o psiquiatra Leonard Verea.

 

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